Dimensionar um novo empreendimento traz um enorme sentimento de satisfação à medida atinge certos marcos, tais como, a primeira venda, a primeira contratação, e a primeira loja física. E, à medida que o negócio cresce, é possível ir fazendo planos para aumentar o inventário, lançar uma nova linha de produtos, vender noutro mercado geográfico ou até encontrar outro segmento de clientes.
Todavia, o crescimento traz consigo custos e obter financiamento inicial pode ser um excelente catalisador.
Um bom planeamento pode ser o elemento diferenciador que dita o sucesso ou falhanço da empresa. Saber quais são as opções de financiamento de empresa (caso precise) deve fazer parte do planeamento.
O que é o financiamento de empresas?
O financiamento de empresas é o ato de garantir capital por meio de terceiros para uma nova empresa ou que já se encontra em funcionamento. É útil para falhas sazonais, antecipação de períodos baixos, e desafios de crescimento e evolução. Também é excelente para empreendedores que estejam a começar um novo negócio.
Melhores opções de financiamento para empresas
1. Empréstimos bancários
Melhor para: negócios com um fluxo de receita constante.
Num empréstimo bancário está a pedir dinheiro emprestado a um banco e esse dinheiro pode ser investido para dar resposta às necessidades do seu negócio. As empresas podem recorrer a várias modalidades de crédito.
Encontrar a solução mais adequada depende do objetivo do financiamento, do montante necessário, do prazo de reembolso e da capacidade financeira da empresa. Para avaliar o pedido, o banco pode analisar o histórico da empresa, o volume de negócios, os resultados, o plano de negócios, as declarações fiscais, as demonstrações financeiras e o histórico de responsabilidades de crédito.
Em Portugal, uma empresa pode consultar gratuitamente o seu mapa de responsabilidades de crédito através do Banco de Portugal. Dependendo do perfil de risco e do tipo de operação, o banco também pode pedir garantias, como hipoteca, penhor, fiança ou aval dos sócios, ou gerentes. Uma garantia pessoal pode fazer com que o património do garante responda pela dívida, caso a empresa entre em incumprimento, pelo que deve ser analisada cuidadosamente antes da assinatura.
As taxas de juro não são iguais para todas as empresas. Variam, entre outros fatores, consoante o montante, o prazo, o risco de crédito, as garantias apresentadas e as condições negociadas com a instituição financeira. O Banco de Portugal publica informação estatística sobre as taxas aplicadas a novos empréstimos concedidos a empresas não financeiras.
Prós
- Este financiamento pode dar resposta a vários tipos de necessidades. Por exemplo, para financiar investimentos, equipamentos, instalações, stock ou necessidades de tesouraria, desde que a finalidade seja aceite pelo banco.
- Há entidades que além do capital, oferecem apoio na preparação do projeto e na análise da sua viabilidade económico-financeira.
- Possibilidade de beneficiar de garantias públicas. Alguns empréstimos podem estar associados a linhas com garantia pública ou garantia mútua, o que pode facilitar o acesso ao crédito e reduzir o custo do financiamento. É fundamental verificar a disponibilidade destas soluções, pois estão dependentes dos programas e protocolos em vigor.
Contras
- Critérios de elegibilidade exigentes. As empresas jovens, com pouca faturação ou sem um histórico financeiro podem ter mais dificuldade em obter crédito bancário. Os bancos têm aplicado critérios ligeiramente mais restritivos sobretudo a PMEs e a empréstimos com uma duração mais longa.
- É necessária documentação. Durante o processo podem exigir-lhe demonstrações financeiras, declarações fiscais, previsões de tesouraria, informação sobre dívidas e um plano de utilização do capital.
- Garantias e responsabilidade pessoal. É possível que o banco lhe exija garantias reais ou pessoais. Se um sócio ou gerente assinar um aval, ou uma fiança, poderá ficar pessoalmente responsável consoante os termos do documento assinado.
- Custos financeiros. Para além da taxa de juro, podem ser cobradas comissões de abertura, avaliação, gestão, alteração ou amortização antecipada. Compare sempre o custo total do financiamento e não se foque apenas no spread.
2. Empréstimos online
Melhor para: empresas que preferem um processo de candidatura digital ou uma solução rápida para as suas necessidades no imediato.
O financiamento online é disponibilizado através de plataformas digitais, instituições financeiras ou empresas de tecnologia financeira. Algumas instituições bancárias tradicionais também permitem fazer a simulação, apresentar documentos e acompanhar o processo através da internet. Na sua essência, pode assumir a forma de um crédito empresarial, linha de crédito, antecipação de valores a receber ou outra solução de tesouraria.
Antes de avançar, confirme se o financiamento é concedido por uma entidade autorizada e analise cuidadosamente a ficha de informação, a taxa aplicável, as comissões, as garantias e as condições de reembolso.
Prós
- Conveniência do processo digital. Pode fazer a simulação, enviar os documentos e acompanhar o pedido sem ter de se deslocar a uma agência.
- É mais rápido. Em algumas situações, a análise e a tomada de decisão podem ser mais rápidas face aos processos bancários tradicionais. O prazo efetivo depende da entidade, do montante e da complexidade da candidatura.
- Processo de comparação simplificado. As plataformas digitais facilitam a comparação de montantes, prazos, prestações e custos. É possível que os critérios sejam mais flexíveis. Algumas soluções consideram a faturação, os movimentos de conta ou outros dados da atividade, isto para além do histórico de crédito tradicional. Porém, tal não é sinónimo de dispensa de uma avaliação de risco.
- Há entidades que também oferecem apoio na preparação do projeto e na análise da sua viabilidade económico-financeira.
Contras
- Há possibilidade de ter de suportar custos mais elevados. A rapidez e a conveniência podem vir acompanhadas de taxas, comissões ou outros encargos superiores aos de um empréstimo bancário dito tradicional.
- Prazos mais curtos. Muitas soluções online destinam-se a dar resposta às necessidades imediatas e podem exigir o reembolso num período mais curto, o que faz disparar o valor das prestações.
- Montantes limitados. Se o seu objetivo é financiar um investimento de grande dimensão, um empréstimo bancário ou uma solução com garantia pública poderá ser mais adequada.
- Risco de decisões precipitadas. Como tem uma maior facilidade de acesso a crédito pode, sem se aperceber, descurar a análise da capacidade de reembolso. Calcule o impacto da prestação na tesouraria da empresa antes de aceitar a proposta.
- Atenção ao tipo de entidade financiadora que escolhe. Verifique a identidade, a autorização e as condições da entidade que apresenta a solução. Desconfie de pedidos de pagamento antecipado pouco claros ou de propostas que prometem financiamento garantido sem analisar a situação da empresa.
3. Linhas de crédito
Melhor para: empresas que precisam de flexibilidade para gerir dinheiro a curto prazo.
As linhas de crédito são montantes, com um determinado limite, que um banco disponibiliza a uma empresa para usar conforme seja necessário. A empresa apenas paga juros sobre o valor que retirar.
Prós
- O valor fica disponível na hora e não precisa de andar a fazer pedidos constantes.
- Flexibilidade de utilização e pagamento. É uma solução feita à medida das necessidades do negócio.
- Pode fazer a reutilização do plafond à medida que o montante é reembolsado. Existe a possibilidade de renegociar ou aumentar o limite, conforme a evolução da empresa. Tem acesso a condições mais vantajosas em linhas protocoladas com o BEI, FEI ou Banco de Fomento.
Contras
- Há taxas de juro variáveis e custos adicionais.
- O banco pode exigir garantias pessoais ou reais.
- O limite aprovado pode ser insuficiente para dar resposta a necessidades maiores.
- Não há garantia de renovação da linha de crédito.
- Fazer um uso contínuo da linha de crédito para cobrir despesas pode aumentar o endividamento.
- Algumas linhas só permitem financiar finalidades muito concretas.
4. Crédito de curto prazo
Melhor para: empresas que querem solucionar questões de liquidez no imediato.
Tais como, despesas correntes, necessidades temporárias de tesouraria ou operações de importação e exportação.
Trata-se de um financiamento bancário destinado a empresas, empresários e entidades equiparadas que exerçam atividade empresarial. Em Portugal, pode ser utilizado para financiar despesas de exploração e necessidades de tesouraria. Como tal, esta é uma forma da empresa obter liquidez para fazer face às suas necessidades do dia a dia.
Relativamente ao montante e à taxa de juro estes são definidos conforme as necessidades da empresa e com a análise de risco realizada pelo banco.
A taxa de juro é indexada à Euribor, acrescida de um spread definido em função do risco de crédito. Além disso, para obter financiamento podem ser-lhe exigidas garantias, como fiança, aval ou outras garantias.
Prós
- Permite à empresa obter liquidez para pagar despesas de exploração e fazer face a necessidades temporárias de caixa.
- O processo é relativamente simples e flexível o que é um excelente benefício para pequenas empresas.
- Há flexibilidade. Pode ser utilizado para responder a várias necessidades empresariais, incluindo despesas correntes e operações de importação e exportação.
Contras
- Há custos financeiros acrescidos, para além de devolver o dinheiro terá de pagar a taxa de juro associada à Euribor e ao spread definido pelo banco.
- Pode exigir garantias. O financiamento pode ser garantido por aval, fiança ou outras garantias. Tudo depende das condições aprovadas pelo banco.
- Continua a depender da aprovação do banco. A concessão do crédito está sujeita à análise e decisão de risco da instituição financeira. Posto isto, uma empresa pode ou não obter o montante nas condições que pretende.
- Há risco de endividamento. Se a empresa utilizar um crédito de curto prazo para "tentar remediar" problemas de tesouraria permanentes, pode acabar por aumentar a sua dependência de financiamento bancário.
5. Leasing e financiamento de equipamentos
Melhor para: empresas que têm de adquirir equipamentos, veículos ou outros bens necessários ao exercício da sua atividade.
O leasing permite-lhe utilizar um bem mediante o pagamento de prestações durante um determinado período previamente acordado.
Pode ser utilizado para financiar equipamentos, veículos, imóveis ou frotas automóveis. No final do contrato, a empresa pode, consoante as condições acordadas, adquirir o bem mediante o pagamento do valor residual.
Prós
- É uma forma de preservar a sua liquidez. Ao optar por esta modalidade não tem de pagar todo o investimento de uma só vez, ou seja, a empresa distribui o custo em prestações.
- Permite-lhe financiar bens essenciais. Pode ser utilizado para adquirir equipamentos, veículos e outros ativos necessários ao funcionamento ou crescimento da empresa.
- Pode financiar uma parte significativa do investimento. Algumas soluções de leasing podem financiar até 100% do valor de aquisição do bem, contudo, esta possibilidade está sujeita às condições da instituição financeira.
Contras
- O bem adquirido fica sujeito às condições do contrato. A empresa tem de cumprir o plano de pagamentos e obrigações contratuais.
- Há juros e comissões a pagar. O custo total pode incluir juros, comissões, seguros e outros encargos.
- É bastante provável que lhe peçam uma entrada ou um valor residual. Consoante a operação, a empresa poderá ter de suportar um pagamento inicial ou um valor significativo no final do contrato.
- O bem financiado tem utilização limitada.
- O capital não pode ser utilizado livremente para outras necessidades da empresa.
6. Factoring e confirming
Melhor para: empresas que pretendem melhorar a gestão da tesouraria e dos pagamentos a clientes ou fornecedores.
O factoring trata-se de uma operação financeira em que uma empresa vende as suas faturas ou créditos a curto prazo a uma instituição financeira, ou sociedade de factoring. Em troca, recebe dinheiro de forma imediata para melhorar a sua tesouraria, porém, paga uma taxa pelo serviço.
O confirming, por sua vez, trata-se de um serviço de gestão de pagamentos a fornecedores. A instituição financeira pode tratar do pagamento na data acordada e dar ao fornecedor a possibilidade de receber antecipadamente o valor da fatura.
Prós
- Melhora a liquidez. O factoring permite transformar vendas a crédito em fundos (que ficam disponíveis) antes do prazo normal de pagamento.
- Facilita a gestão de cobranças. Em algumas modalidades, a instituição financeira acompanha ou gere a cobrança junto dos clientes.
- Ajuda a organizar os pagamentos. O confirming pode simplificar a gestão das faturas e dos pagamentos a fornecedores.
- Pode beneficiar os fornecedores. No confirming, os fornecedores podem optar por receber antecipadamente as faturas aprovadas, mesmo que a empresa mantenha o prazo de pagamento acordado.
Contras
- Custos associados. É possível que a empresa tenha de suportar juros, comissões de gestão/cobrança ou outros encargos.
- Pode criar dependência de financiamento externo. Utilizar o factoring de forma contínua para cobrir despesas correntes pode revelar dificuldades estruturais da empresa.
- Depende da qualidade dos clientes. A entidade financeira pode avaliar a solvabilidade dos devedores antes de aceitar as faturas.
7. Crowdfunding, business angels e capital de risco
Melhor para: projetos inovadores, empresas em fase inicial e negócios com potencial de crescimento.
Através do crowdfunding consegue angariar financiamento junto de um grande número de pessoas por meio de uma plataforma. Dependendo do modelo, os apoiantes podem contribuir através de donativos, conceder empréstimos ou investir na empresa.
Os business angels são investidores que disponibilizam capital a empresas, normalmente a troco de uma participação no capital ou de direitos definidos por acordo. Já o capital de risco funciona de forma semelhante, apesar de ser disponibilizado, por norma, por fundos ou sociedades especializadas que investem em empresas com potencial de crescimento.
Sites como o Kickstarter e o Indiegogo são excelentes formas de obter financiamento. De notar que, neste tipo de campanhas de angariação de dinheiro é hábito oferecer presentes, recompensas ou outros benefícios a quem apoia a sua ideia. Além disso, esta é uma excelente forma de tentar gerar interesse em torno do seu produto ou serviço.
Adoce a boca aos seus potenciais clientes (e financiadores) ao oferecer um produto gratuito, acesso antecipado ou qualquer outro "mimo" a troco da doação.
Prós
- É uma excelente forma de financiamento de empresas sem histórico bancário. Projetos recentes ou inovadores podem despertar o interesse de investidores mesmo sem um grande histórico de atividade comercial.
- Combina financiamento e divulgação. Uma campanha de crowdfunding pode aumentar a visibilidade da marca e testar o interesse do mercado.
- Traz experiência e contactos. Os business angels e investidores de capital de risco podem contribuir com conhecimento, contactos e orientação estratégica. Essenciais numa fase inicial.
- Não exige que haja um empréstimo. Quando o financiamento é obtido através de capital próprio, a empresa não fica sujeita ao reembolso de um empréstimo, embora possa ter de ceder uma participação no negócio.
Contras
- Pode implicar perda de participação. Ao aceitar investimento de business angels ou de capital de risco, os fundadores podem ter de ceder parte do capital e de alguns direitos de decisão.
- Exige uma apresentação sólida do negócio. Os investidores analisam o projeto, o mercado, a equipa, as previsões financeiras e o potencial de crescimento.
- Não há qualquer garantia de angariação. Uma campanha de crowdfunding pode não atingir o montante pretendido.
- Há custos e obrigações. As plataformas podem cobrar comissões e existem alguns modelos que implicam o cumprimento de obrigações perante apoiantes, credores ou investidores.
- Cria uma pressão em torno do crescimento. Por norma, os investidores profissionais visam uma valorização do negócio e podem esperar alcançar resultados ambiciosos numa determinada janela temporal.
8. Microcréditos
Melhor para: empreendedores e microempresas que precisam de um montante reduzido para iniciar ou desenvolver uma atividade.
O microcrédito é um financiamento de valor relativamente reduzido, destinado, por hábito, à criação do próprio emprego ou empresa, ou à realização de pequenos investimentos. Pode ser utilizado, por exemplo, para comprar equipamentos, ferramentas, matérias-primas, stock ou financiar outras despesas previstas no projeto.
Em Portugal, há programas de microcrédito associados a medidas de apoio ao empreendedorismo e à criação de empresas. Algumas soluções destinam-se a pessoas desempregadas, jovens à procura do primeiro emprego ou a trabalhadores independentes com rendimentos reduzidos.
As condições dependem do tipo de microcrédito e podem incluir a apresentação de um plano de negócios, a demonstração da viabilidade económico-financeira do projeto e a criação do próprio posto de trabalho.
Prós
- Ajuda a impulsionar projetos de pequena dimensão. O microcrédito pode ser uma alternativa para quem não precisa de um empréstimo de montante mais elevado ou tem dificuldade em obter financiamento tradicional.
- É uma forma de apoiar a criação do próprio emprego. Alguns programas permitem financiar projetos destinados à criação de uma empresa e do posto de trabalho.
- É uma forma de financiar despesas essenciais. Dependendo das condições estabelecidas, o capital pode ser utilizado para adquirir equipamentos, ferramentas, matérias-primas, stock ou financiar o fundo de maneio inicial.
- Há entidades que além do capital, oferecem apoio na preparação do projeto e na análise da sua viabilidade económico-financeira.
- Pode complementar outros apoios. Em alguns casos, o microcrédito pode ser combinado com incentivos ou apoios à criação de empresas, desde que as regras o permitam.
Contras
- Os montantes têm um teto máximo. O microcrédito pode não ser suficiente para financiar investimentos de maior dimensão, como a compra de instalações ou equipamentos dispendiosos.
- Critérios de elegibilidade específicos. Algumas opções de financiamento aplicam-se apenas a determinados grupos de empreendedores e podem exigir a inscrição no IEFP ou cumprimento de outras condições.
- O projeto tem de ser viável. A candidatura pode depender da apresentação de um plano de negócios, previsões financeiras e comprovativos que demonstrem a viabilidade da atividade.
- A utilização dos fundos está condicionada. O dinheiro tem de ser aplicado nas despesas aprovadas.
- Pode não ser possível utilizá-lo livremente para pagar dívidas antigas ou despesas resultantes de imprevistos.
- Obrigação de reembolso. Apesar de ser um montante reduzido, o microcrédito continua a ser um empréstimo. O empreendedor ou a empresa deve pagar as prestações e cumprir com as restantes condições do contrato.
- Pode envolver responsabilidade pessoal. Dependendo da solução contratada, o empreendedor ou os sócios podem ficar pessoalmente responsáveis pelo reembolso.
- Garantias e responsabilidade pessoal. É possível que o banco lhe exija garantias reais ou pessoais.
Nota: prazos e condições variáveis. Os montantes, taxas de juro, prazos, garantias e despesas elegíveis variam consoante a entidade financiadora e o programa em vigor. Logo, é importante confirmar sempre as condições antes de apresentar a candidatura.
9. Crédito comercial e financiamento por fornecedores
Melhor para: empresas que precisam de comprar stock, matérias-primas ou serviços e não querem pagar imediatamente.
Podemos definir o crédito comercial como uma situação em que um fornecedor entrega bens ou presta serviços e permite que a empresa pague mais tarde. Pode ser pago a 30, 60 ou 90 dias, por exemplo, dependendo das condições negociadas entre as partes.
É uma solução comum na aquisição de stock e pode ajudar a empresa a alinhar o pagamento aos fornecedores com o momento em que recebe dos seus próprios clientes. Deve, todavia, ser distinguida de um empréstimo bancário, uma vez que resulta de uma relação comercial entre um comprador e fornecedor.
Prós
- Reduz a necessidade de capital imediato. A empresa pode receber os bens ou serviços antes de efetuar o pagamento.
- Ajuda a financiar o stock. O prazo dado pelo fornecedor pode permitir a venda de parte dos produtos antes de pagar a respetiva fatura.
- É fácil de utilizar. Quando há uma relação de confiança entre as partes, pode não ser necessário apresentar um pedido de crédito bancário.
- Pode apoiar a tesouraria. O prazo de pagamento ajuda a gerir o intervalo entre as compras, as vendas e a coleta dos valores.
Contras
- Pode ter um custo indireto. O fornecedor pode refletir o prazo de pagamento no preço ou não conceder descontos por pagamento antecipado.
- Podem ser exigidas garantias ou condições específicas. Dependendo do risco, o fornecedor pode pedir um pagamento inicial, garantias ou limites de crédito mais reduzidos.
- Os atrasos podem prejudicar a relação comercial.
- O incumprimento pode levar à suspensão do abastecimento de stock ou à redução dos prazos acordados.
- Cria dependência dos fornecedores. Se a empresa depender demasiado do crédito comercial, poderá ter dificuldades caso os fornecedores alterem as condições de pagamento. Este tipo de gestão pode aumentar as dívidas de curto prazo.
- Embora não seja um empréstimo bancário, o valor das faturas por pagar continua a representar uma obrigação financeira para a empresa.
10. Autofinanciamento e financiamento por sócios
Melhor para: empresas em fase inicial ou empresários que pretendem limitar o recurso a crédito e manter o controlo do negócio.
O autofinanciamento consiste em utilizar poupanças pessoais, lucros reinvestidos ou outros recursos próprios para iniciar ou desenvolver a atividade. O financiamento por sócios pode assumir a forma de entradas de capital ou de empréstimos dos sócios à empresa, desde que seja devidamente formalizado e registado na contabilidade.
Assim, pode iniciar um projeto ou cobrir necessidades de tesouraria sem recorrer logo a um banco. No entanto, as condições devem ser definidas com clareza, sobretudo quando o dinheiro é emprestado pelos próprios sócios e não é entregue como entrada de capital.
Prós
- Não depende de aprovação bancária. A empresa não precisa de cumprir os critérios de um banco para utilizar recursos próprios.
- Pode reduzir o endividamento bancário. O recurso a capital próprio ou a fundos dos sócios diminui a necessidade de usar créditos externos.
- Mantém o controlo dentro da empresa. O empresário não precisa de ceder uma participação a investidores externos.
- É uma solução flexível. Os sócios podem definir, dentro dos limites legais e contabilísticos aplicáveis, as condições de participação ou de reembolso dos fundos.
Contras
- Limita os recursos disponíveis. O montante depende das poupanças, dos lucros ou da capacidade financeira dos sócios.
- Aumenta o risco pessoal. Se o negócio falhar, os sócios podem perder o capital investido ou emprestado à empresa.
- Pode atrasar o crescimento. O autofinanciamento pode não ser suficiente para financiar rapidamente equipamentos, contratação, marketing ou expansão do negócio.
- Há uma grande probabilidade de gerar conflitos entre os sócios. É importante acordar por escrito o montante, a finalidade, o prazo, os juros e as condições de reembolso de qualquer empréstimo dos sócios.
- Não elimina as obrigações da empresa. Um empréstimo dos sócios continua a ser uma dívida da empresa e deve ser tratado de forma adequada na contabilidade.
Como obter financiamento para a empresa
Embora cada situação de financiamento tenha as suas especificidades, há um processo generalista que pode seguir, ora veja:
Melhore a sua pontuação de crédito
A pontuação de crédito indica a probabilidade que tem de pagar o valor solicitado e de cumprir as suas obrigações. Ter uma boa pontuação de crédito é fundamental desde o primeiro dia em que pensa criar o seu negócio.
Tenha um plano definido
Nos negócios há poucas coisas piores (ou com tanto potencial de insucesso) que ter de arranjar liquidez em pouco tempo. Fazer um bom planeamento, onde antecipa as suas necessidades, é a melhor opção a tomar.
Decida quanto quer pedir emprestado
Claro que, saber quanto deve poupar, é uma decisão de negócios que depende do seu julgamento. Se tiver uma almofada muito reduzida, pode ser insuficiente numa altura de maior aperto. Por outro lado, se tiver uma almofada muito robusta pode correr o risco de prejudicar o seu negócio por falta de investimento. Além disso, pode nunca vir a precisar desse dinheiro.
Prepare o seu discurso de apresentação
Terá de haver uma aplicação e um processo de análise relativamente à opção de financiamento que irá usar no seu negócio. Mantenha-se na linha da frente com alguma preparação.
Reúna uma pasta de ficheiros com o seu plano de negócios, relatórios financeiros, catálogo de produtos e outras informações relevantes. Depois, desenvolva a sua apresentação para aprimorar o porquê do seu negócio ser merecedor dos fundos que está a pedir.
Compare as várias opções de financiamento de empresas
Não tenha medo de fazer perguntas a várias fontes. Não tem qualquer obrigação até assinar um acordo. Quando souber as suas opções, pode usar essa informação para negociar termos e taxas melhores.
Garantir financiamento para a sua empresa
Conhecer a sua indústria e planear tendo em conta potenciais ganhos e perdas que pode enfrentar faz parte do bê-á-bá dos negócios. Dentro deste tipo de planeamento estão incluídas a antecipação de necessidades de capital e a criação de um fundo de emergência para uma eventualidade.
Garanta que tem a preparação financeira e psicológica certa para tratar desta questão. Tem de saber trabalhar com parceiros financeiros que conhecem o seu negócio e que conseguem tomar decisões num ápice. Além disso, estas pessoas, sabem afinar termos de reembolso (ou equidade) conforme as suas necessidades e verá que é muito mais fácil fazer com que a sua empresa tenha aquilo de que precisa, na hora H.
Afinal, criar um negócio é uma jornada incrível. E ninguém quer ficar sem combustível a meio do caminho.
Perguntas frequentes sobre financiamento de empresa
O que é o financiamento de empresas?
O financiamento de empresas é quando um empreendedor consegue garantir capital externo para apoiar as suas necessidades de negócio. Pode ser proveniente de empréstimos bancários e investidores ou quiçá de fontes mais alternativas como o crowdfunding.
Qual é o tipo de financiamento que as pequenas empresas utilizam?
As empresas costumam usar, maioritariamente:
- Financiamento da dívida: pressupõe fazer um empréstimo, a um banco, por exemplo, e fazer o pagamento (acrescido de juros) num determinado período.
- Financiamento de capital: obter fundos por meio da venda de propriedade no negócio a investidores.
- Crowdfunding: obter liquidez concedida por um grande número de pessoas, por hábito, através da internet, para financiar um projeto.
Qual é o método de financiamento de empresas mais comum?
Fazer um empréstimo empresarial é o método de financiamento mais comum, pois confere disponibilidade de capital e pagamentos mais flexíveis, todavia, tudo depende do seu caso e escolhas pessoais.
Como posso financiar uma empresa nova?
Há várias formas de financiar uma empresa nova, pode usar empréstimos, incentivos públicos e fundos europeus, crowdfunding, angel investors e microcréditos.
Qual é a melhor forma de financiar uma pequena empresa?
Depende, e há muitas variáveis a considerar. Por exemplo, qual o montante necessário, histórico de crédito, tempo para fazer o pagamento e a sua situação em particular. Se quer evitar créditos a todo o custo o melhor será fazer uso de autofinanciamento, crowdfunding ou de acordos com fornecedores.
Aviso: as informações apresentadas neste artigo têm um caráter meramente informativo e não constituem aconselhamento financeiro, jurídico ou fiscal. As condições de financiamento, taxas, prazos e critérios de elegibilidade podem variar consoante a entidade financiadora e a situação de cada empresa. Antes de tomar qualquer decisão procure aconselhamento profissional.

