Vender produtos online é desafiador. Os clientes em potencial não podem tocar, cheirar ou ver o item pessoalmente. Por isso, dependem de imagens e textos, ou seja, a redação (ou copy) que profissionais de marketing utilizam para apresentar as características do produto, os problemas que ele resolve e os benefícios que oferece.
A redação para e-commerce é uma habilidade que muitos proprietários de empresas não tiveram oportunidade de desenvolver. Ainda assim, uma escrita eficaz tem o poder de persuadir mais leitores a clicar, se inscrever ou comprar.
Um bom texto também pode transformar a forma como as pessoas percebem um problema específico e mostrar qual papel o produto pode desempenhar na solução.
Propostas de valor, microtextos (ou microcopy), anúncios no Facebook e e-mails promocionais (para citar apenas alguns exemplos) utilizam a redação para captar a atenção dos clientes e transformar visitantes em compradores. Ainda assim, quando o assunto é redação, não é raro ouvir empreendedores e lojistas dizerem que estão “improvisando” ou apenas fazendo o possível.
O que é uma pena, já que investir nesse recurso pode ser o diferencial para aumentar as vendas de um site sem precisar ampliar os gastos com aquisição de clientes.
A boa notícia é que profissionais de marketing (ou copywriters) utilizam há anos um processo para criar textos mais persuasivos e melhorar a taxa de conversão, e você vai conhecer esse passo a passo neste artigo.
O que é redação para e-commerce?
A redação para e-commerce é o processo de criar textos que convencem seu público-alvo a realizar uma ação. Por exemplo, você pode convencer seu público a visitar sua loja virtual, se inscrever em sua lista de e-mail ou comprar um produto. Por essa razão, é frequentemente chamado de redação de resposta direta ou copy de vendas.
Uma redação persuasiva e direta para e-commerce é a chave para impulsionar vendas sem investir mais em aquisição. Por isso, ter uma boa redação em todos os pontos de contato é uma das maneiras mais eficazes de mover prospects ou compradores através do funil de vendas.
Onde a redação para e-commerce é usada?
Independentemente de onde esse texto será aplicado, a redação para e-commerce é um elemento essencial de toda a estratégia de marketing digital.
Sites de e-commerce
Você nunca tem uma segunda chance de causar uma boa primeira impressão. Um texto forte na página inicial comunica de forma rápida e clara o que a empresa vende e qual é o seu diferencial, reduzindo as chances de o visitante sair.
Da mesma forma, quem acessa o site quer conhecer a empresa por trás da marca. Use a redação da página Quem Somos para criar conexão e despertar afinidade com a história, os valores e o propósito do negócio.
Lading pages
Marcas realmente excelentes fazem cada palavra contar, até mesmo em páginas como a de política de frete.
“Sempre que quero avaliar o quanto uma marca leva a sério a experiência do cliente, verifico as páginas do rodapé”, diz a copywriter freelancer Samar Owais. "Perguntas Frequentes, Fale Conosco, Frete e Trocas & Devoluções são as páginas que clientes realmente interessados na marca costumam acessar”, comenta.
“A maioria das empresas trata esses espaços como secundários. De fato, poucos visitantes passam por eles, mas quem passa tem muito mais chance de se tornar um cliente fiel ou um defensor da marca.”
A conclusão é clara: se clientes ideais estão sendo perdidos nas páginas institucionais ou de suporte do site, não adianta ter uma redação impecável apenas nas páginas de produto.
Páginas de categoria
Às vezes, os visitantes chegam ao site buscando resolver um problema, mas ainda não sabem qual produto é o mais adequado. Por isso, recorrem às páginas de categoria ou coleções para filtrar as opções que correspondem ao que procuram.
Nessas páginas, explique de forma clara o critério de agrupamento dos produtos e inclua orientações breves que ajudem a entender as diferenças e a escolher a melhor opção.
Páginas de produto
Por que as pessoas deveriam comprar o produto que está sendo vendido? As descrições de produtos devem ajudar o público ideal a imaginar a experiência de possuir, tocar ou usar o item.
Conteúdo de rede social
A pessoa média passa cerca de 2,5 horas por dia nas redes sociais. Ao investir em redação nas suas postagens, é possível direcionar parte dessa atenção para o seu negócio online.
Outros materiais de marketing
Não é apenas o site que precisa de uma redação de alta qualidade. Toda interação com clientes em potencial deve ser otimizada, muitas vezes, antes mesmo de visitarem a loja virtual. Veja outras áreas importantes para focar:
- Meta títulos e descrições: os mecanismos de busca exibem esses trechos de texto na página de resultados. Aqui, o texto é o único recurso, não há imagens ou vídeos para influenciar a decisão. Uma redação de SEO envolvente, com palavras-chave relevantes, pode ser decisiva para que o usuário clique no seu site e não no de um concorrente.
- Mala direta: produza folhetos e cartões postais que incentivem clientes da sua região a visitar a loja física.
- Publicidade: seja em anúncios do Google, campanhas no Facebook ou outdoors, a publicidade combina redação e criação visual. Imagens atraentes aliadas a um texto persuasivo ajudam a captar a atenção e influenciar a compra.
- E-mails: qualquer campanha de email marketing — promoções, recuperação de carrinho abandonado ou confirmações de compra — deve ser escrita com foco no cliente. Usar a linguagem do público aproxima a mensagem e conduz o leitor da caixa de entrada ao site por meio de uma chamada para ação (CTA).
7 dicas comprovadas de redação para e-commerce
- Reproduza o tom de voz do seu cliente
- Destaque benefícios, não apenas características
- Use uma linguagem objetiva e baseada em fatos
- Evite termos vagos ou sem significado claro
- Use adjetivos com moderação
- Conte histórias em vez de apenas fatos
- Defenda um ponto de vista claro e consistente
1. Reproduza o tom de voz do seu cliente
De que adianta a pesquisa de redação se ela não for aplicada na escrita?
Retome sua planilha de pesquisa e identifique os termos que os clientes usaram em avaliações, entrevistas ou pesquisas. É comum perceber que cada público ou persona possui um vocabulário próprio. Incorporar essa mesma linguagem na loja virtual ajuda a criar conexão, fazendo o cliente pensar: “Esta marca me entende.”
A Insider adota um tom de voz direto, bem-humorado e alinhado à linguagem do seu público, usando trocadilhos e referências que soam familiares para quem consome moda íntima confortável no dia a dia. Um exemplo é a chamada “Calcinhas a laser, o conforto é mais embaixo”, que brinca com uma expressão popular para destacar o principal benefício do produto de forma leve.

2. Destaque benefícios, não apenas características
Embora possa parecer que listar as características apresente os produtos da melhor forma, a maioria das compras é motivada por emoção.
O fato de um lençol de linho ter 400 fios por polegada não desperta a sensação de “Preciso comprar isso!”. Já uma capa de edredom luxuosa e confortável, que faz adormecer rapidamente, sim.
Sempre que mencionar uma característica, complemente com o benefício que ela oferece. Isso permite aproveitar melhor espaços valiosos, como títulos e descrições de produtos, para persuadir, e não apenas informar.
Redação e experiência do usuário devem caminhar juntas. Há várias maneiras de destacar informações importantes, como ícones, selos ou marcadores, sem sobrecarregar o leitor com especificações técnicas.
Existem muitos benefícios que podem ser explorados no texto, dependendo do motivo da compra: resolver um problema, aumentar o conforto e o prazer ou fazer a pessoa se sentir parte de uma comunidade.
Por exemplo, a máscara Aliv Head Gel da marca I wanna sleep têm tecnologia gel de alta densidade para uso quente e frio e cobertura 360º. O benefício é o alívio instantâneo de dores e incômodos, sem os efeitos colaterais dos remédios, melhorando o bem estar geral dos clientes. Esses sentimentos de alegria e antecipação são comprovadamente capazes de aumentar (link em inglês) o desempenho em landing pages de e-commerce.

3. Use linguagem objetiva e baseada em fatos
Imagine navegar por dois sites. O primeiro foi escrito por um copywriter destacando o quanto o produto é excelente. O segundo faz o mesmo, mas inclui trechos de clientes satisfeitos confirmando essas qualidades.
Com qual deles é mais provável se envolver? Provavelmente com o segundo. Ele utiliza prova social, ou seja, avaliações de pessoas reais, para aumentar a confiança no produto.
A prova social torna a redação menos parcial. Depoimentos, avaliações e conteúdos gerados por usuários estão entre os ativos mais influentes do e-commerce, com potencial comprovado de elevar as taxas de conversão das páginas de vendas em até 34%.
A Beyoung, por exemplo, cria prova social com o título "Quem testou, amor" acima de um carrossel de avaliações positivas de clientes.

4. Evite termos vagos ou sem significado claro
Palavras de efeito como "padrão internacional", "líder de mercado" e "inovador" são usadas com tanta frequência que perderam grande parte do impacto. Muitas vezes, viram apenas preenchimento, ocupando espaço sem acrescentar significado real.
Adote uma postura crítica e pergunte, para cada termo, o que isso realmente quer dizer. Se não surgir uma resposta clara e específica, corte ou reformule até que o texto fique concreto e relevante.
❌ Palavreado vazio cadeiras de escritório inovadoras de um fabricante líder mundial.
✅ Melhor alternativa: cadeiras de escritório com suporte lombar usadas em mais de 150.000 escritórios no Brasil.
Expressões vagas cansam e desviam a atenção do leitor. Já fatos e números aumentam a credibilidade. Sempre que possível, inclua dados e prefira escrevê-los em algarismos (7) em vez de por extenso (sete), pois números chamam mais atenção.
5. Use adjetivos com moderação
Adjetivos ajudam a explicar como os produtos aparentam (aparência), o que fazem (características) e quais sensações despertam nos compradores (benefícios).
Com moderação, são úteis. Permitem que o cliente visualize como um produto parece, se sente ou até cheira. Em excesso, porém, dificultam a leitura e cansam o leitor. Veja este exemplo:
Esta coleção relaxada e romântica de utensílios de cozinha bonitos tem um visual único, atualizado e ao mesmo tempo clássico, perfeito para sua cozinha.
O excesso de adjetivos torna a frase lenta e confusa. Uma versão mais clara seria:
Esta coleção romântica de utensílios de cozinha combina com a maioria dos estilos de cozinha.
Ao usar adjetivos, siga algumas boas práticas:
- Use apenas um adjetivo antes do substantivo: em vez de “coleção relaxada e romântica”, prefira “coleção romântica”.
- Evite descrever o óbvio: não explique a aparência de um produto se ela já está visível na imagem.
- Prefira palavras sensoriais ou emocionais, que despertem sensações: termos como “legal”, “bom” ou “eficaz” dizem pouco; opte por opções mais expressivas quando fizer sentido.
6. Conte histórias em vez de apenas fatos
Fatos aumentam a credibilidade da descrição de produto, mas, sozinhos, não tornam o conteúdo persuasivo. Eles são objetivos e informativos, porém não transmitem personalidade nem identidade de marca.
As descrições mais eficazes combinam fatos e histórias. Enquanto os dados ajudam a justificar a compra, as histórias envolvem o leitor e facilitam a visualização do produto no dia a dia. Como o cérebro humano responde naturalmente a narrativas, permitir que o cliente imagine o uso na própria rotina pode ser decisivo para aproximá-lo da compra.
Uma história simples pode ajudar potenciais compradores a compreender os benefícios — especialmente em produtos mais complexos —, além de reforçar a personalidade da marca. Relatos sobre desenvolvimento, testes ou origem dos materiais também aumentam o interesse e a percepção de qualidade.
Imagine, por exemplo, a venda de uma cadeira de escritório com suporte lombar. Em vez de listar apenas especificações, é possível contar a história de alguém que testou várias cadeiras e continuou com dores nas costas, até encontrar uma solução confortável no seu produto.
Então, como inserir essas mini-histórias na sua loja virtual? Veja três dicas rápidas:
- Aprenda com jornalistas investigativos: aprofunde-se para descobrir detalhes interessantes sobre o produto. Converse com fornecedores e clientes atuais. Quanto mais você ouvir e aprender, mais histórias terá para usar nas descrições de produtos e landing pages.
- Mantenha as histórias curtas e concretas: foque sua história em apenas uma ideia simples.
- Evite o óbvio: prefira relatos inesperados que envolvam, entretenham e ajudem a vender.
Quando potenciais compradores leem histórias, tendem a esquecer que estão diante de uma mensagem de venda. As barreiras iniciais diminuem, e o conteúdo se torna mais envolvente e persuasivo.
Às vezes, determinadas informações precisam constar na página de produto para atender exigências legais ou normas de conformidade. Um estudo de Harvard de 1978 (link em inglês) mostrou que o uso da palavra “porque” pode aumentar a aceitação de 60% para 94%. Por isso, ao apresentar dados obrigatórios, explique por que eles são relevantes. Por exemplo: “Este tipo de adesivo é recomendado porque é exigido por lei.”
7. Defenda um ponto de vista claro e consistente
Muitos sites de e-commerce de grandes varejistas soam exatamente como são: grandes corporações impessoais. Não criam conexão, não envolvem e pouco comunicam o valor dos produtos que oferecem, apenas listam itens como pão, manteiga, cerveja ou pasta de dente.
Mas ninguém gosta de interagir com uma empresa sem rosto ou falar com um atendimento automático sem personalidade. Então por que produzir textos que soam frios e burocráticos?
Para se conectar com o leitor, é essencial adicionar personalidade ao site. Pense na voz da marca: se o site fosse um vendedor conversando com um cliente, como ele soaria? Que histórias contaria? Que tipo de humor usaria? Que palavras escolheria?
Visualize uma pessoa real e escreva como falaria com ela no dia a dia. Deixe de lado o jargão corporativo e prefira um texto mais natural e conversacional.
No rodapé do site da Linus, a marca usa uma frase simples e acolhedora, com a linguagem leve característica da sua comunidade: “Inscreva-se para receber conteúdos especiais e ficar por dentro de todas as novidades antes de todo mundo :)”. O uso de palavras acessíveis e do símbolo de carinha sorrindo reforça a proximidade com o público e transmite o tom amigável que a marca cultiva com quem acompanha seu universo.

Erros comuns de redação para e-commerce
- Manter pouca variedade na estrutura das frases
- Tentar falar com todos ao mesmo tempo
- Deixar de atualizar periodicamente os textos do site
- Priorizar quantidade em vez de qualidade
Manter pouca variedade na estrutura das frases
A redação para e-commerce pode se tornar monótona quando o leitor já sabe o que esperar. Alternar frases mais longas com outras mais curtas cria ritmo e variedade.
Quebrar padrões funciona muito bem nesse contexto. Se várias frases longas aparecem em sequência, o leitor entra no piloto automático. Ao inserir uma frase curta e direta, a leitura é interrompida e a atenção volta imediatamente. Esse contraste ajuda a recuperar o foco do visitante e destacar a mensagem, justamente por fugir do padrão esperado.
Tentar falar com todos ao mesmo tempo
Uma boa redação é como um quebra-cabeça cuja solução está nas palavras que seus clientes ideais usam para descrever seus problemas. Para escrever uma redação eficaz, é indispensável pesquisar: compreender motivações e obstáculos de quem realmente compra.
Isso contrasta com a visão comum entre muitos lojistas de e-commerce, que acreditam que o texto mais criativo é sempre o que vence.
“A ferramenta de pesquisa mais poderosa que uso para escrever textos de conversão, como e-mails de vendas e landing pages, é tão simples quanto uma entrevista telefônica de 20 minutos”, diz Kira Hug, cofundadora do The Copywriter Club. "Embora pesquisas sejam valiosas, porque permitem coletar muitos dados de centenas ou até milhares de pessoas, nada substitui uma conversa direta entre duas pessoas.”
“Normalmente, complemento cada pesquisa com pelo menos 8 a 10 entrevistas com clientes. Isso permite aprofundar a história individual, desafios, desejos, objetivos e objeções. É surpreendente o que alguém compartilha em apenas 20 minutos quando as perguntas certas são feitas", completa.
Deixar de atualizar periodicamente os textos do site
Os mercados estão em constante mudança, assim como o cliente ideal. As expressões que faziam sentido em 2015 podem não ser relevantes hoje, o que mostra que o texto do site precisa ser atualizado com frequência.
Defina um lembrete para revisar avaliações de e-commerce, entrevistas com clientes e tickets de suporte. Registre os insights no seu repositório de pesquisa, como uma planilha, para identificar novos padrões e necessidades.
Isso não só ajuda o texto do site a acompanhar a evolução do público, como também pode gerar vantagem competitiva. Quando a marca entende exatamente o que o cliente precisa ouvir antes de comprar, aumenta a chance de se destacar e de despertar a sensação: “Esta marca sabe exatamente do que preciso."
Priorizar quantidade em vez de qualidade
A contagem de palavras não é o fator mais importante ao escrever redação para e-commerce. Algumas das landing pages e descrições de produtos mais eficazes têm apenas poucas frases, mas com grande impacto.
Quanto mais direto, melhor. Frases curtas são mais fáceis de ler e transmitem confiança, por isso vale eliminar excessos e apostar em uma comunicação clara e objetiva no site.
Como conduzir pesquisa de redação para e-commerce
- Defina o público-alvo e seus segmentos
- Pesquise profundamente seu público-alvo
- Identifique e documente padrões
- Colha depoimentos e avaliações de clientes
- Defina a hierarquia e a estrutura das mensagens
Conduzir uma pesquisa de redação para e-commerce é o primeiro passo para criar textos que realmente conectam e convertem. Em vez de depender de suposições, esse processo permite compreender quem é o público, como ele pensa, quais problemas deseja resolver e que linguagem utiliza.
1. Defina o público-alvo e os seus segmentos
Uma redação de e-commerce voltada à conversão alcança a pessoa certa, com a mensagem certa, no lugar e no momento adequados. Há uma grande diferença entre converter um visitante novo na página inicial e reengajar alguém que adicionou um produto ao carrinho, mas não concluiu a compra.
A seguir, veja alguns dos segmentos mais comuns e identifique quais fazem mais sentido para a sua loja:
- Carrinhos abandonados: identifica os problemas presentes no estágio de pré-conversão (ansiedades, medos, frustrações) que fazem com que o cliente não compre o seu produto. Lembre-se de que o abandono de carrinhos não é algo normal, e sim um processo que se tornou constante. Afinal, ninguém abandona um carrinho de compras sem motivos.
- Clientes novos: identifica outros problemas presentes no estágio de pré-conversão. Por que o cliente escolheu a sua loja? Qual foi o motivo da frustração durante o checkout? Com esses dados, você obterá informações importantes sobre a qualidade do seu produto, e poderá avaliar em detalhes a proposta de valor que está sendo disponibilizada.
- Clientes antigos: identifica os produtos que podem ser vendidos em conjunto, a duração do ciclo de compras, o ciclo de vida do cliente e muito mais.
- Clientes inativos: identifica dados relativos ao lifetime value do cliente (o que pode ser útil no planejamento de anúncios pagos) e à retenção. Quantas compras esses clientes fizeram? Por que eles não compraram mais nada? O que você poderia ter feito para evitar essa situação?
Esses são segmentos amplos que podem se aplicar a qualquer loja. No entanto, vale a pena ser mais específico, por exemplo, segmentar clientes por categoria de produto ou identificar novos compradores que já fizeram duas compras em seis meses.
2. Pesquise profundamente seu público-alvo
Quando você sabe o que quer saber e os segmentos que podem ajudá-lo a descobrir, está pronto para começar a mergulhar na pesquisa qualitativa.
"Se há uma coisa que a maioria das empresas perde, negligencia ou ignora, é que toda conversão de e-commerce é o resultado de uma conversa que seu lead está tendo com seu texto", diz Joel Klettke da Business Casual Copywriting e Case Study Buddy.
"Não conheço nenhum outro fator que faça uma diferença maior nos resultados do seu texto do que a qualidade e profundidade da pesquisa que você conduz."
Este tipo de pesquisa de redação pode ser feito usando estes quatro métodos:
- Entrevistas internas: converse com a equipe de vendas e suporte (se você tiver) e colete dados existentes de fontes internas, como seu CRM. Revise os registros dos últimos três a seis meses. Destaque perguntas recorrentes, dores, benefícios, objeções e frustrações.
- Entrevistas com clientes: mantenha-se dentro dos segmentos que você selecionou e filtre por especificidades (ex: compras, frequência de compra, demográfico). Entre em contato com essas pessoas com um e-mail simples que educadamente pede seu tempo em troca de algo. Isso pode ser qualquer coisa, desde um voucher de R$ 50 ou um produto grátis até visitas aos bastidores da sede para fãs fervorosos.
- Pesquisas: há dois tipos de pesquisas que você pode usar para descobrir quais estilos de redação seu público-alvo melhor responde: pesquisas no site e com clientes. Ambas podem ajudá-lo a entender melhor essa decisão de compra inicial.
- Mineração de avaliações: sites de terceiros estão cheios de depoimentos de clientes, avaliações, reclamações, etc., que você pode explorar. Eles são geralmente menos tendenciosos do que se fossem solicitados. Mesmo em sites onde apenas clientes satisfeitos deixam avaliações, é valioso observar quais motivos aparecem repetidamente como razão para gostarem tanto de um produto.
Nesse contexto, vale destacar que as pesquisas com clientes são extremamente valiosas para o processo de copywriting de qualquer empresa, especialmente se esta ainda estiver dando os seus primeiros passos. Se você acabou de abrir uma loja, aquela tal marca de 250 clientes ainda parece estar bem longe, não é mesmo?
Mas não adianta sair distribuindo questionários para qualquer um que disser “sim”. O mais importante, nesse momento crucial, é encontrar os clientes e usuários que poderão fornecer os dados mais valiosos: preserve os segmentos que você selecionou e determine alguns valores específicos para a pesquisa (como compras, frequência de compras, fatores demográficos, etc.).
Lembre-se: as perguntas de um questionário são importantes. Por isso mesmo, gaste o tempo que for necessário para criá-las. O ideal é tentar encontrar um certo equilíbrio entre a demonstração (“Explique como você...”), as tarefas (“Encontre uma calça jeans que custe menos de 100 reais”) e o comportamental (“O que fez com que você passasse a utilizar este produto?”). As pesquisas com clientes devem ser um intercruzamento de todas essas modalidades.
Pode até parecer meio clichê, mas o bom e velho quem, quando, como e por quê ainda têm o seu efeito.
Outra dica é realizar essas entrevistas pessoais pelo Meet ou Zoom, já que é impossível observar a linguagem corporal de alguém pelo telefone. Lembre-se de gravar essas interações para que você possa se concentrar totalmente na pessoa durante o momento da entrevista.
O próximo passo é organizar as respostas em uma planilha:

3. Identifique e documente padrões
A essa altura, você já deve ter uma planilha cheia de dados originados das mais diversas fontes. Parece assustador, não é? Ainda mais porque é agora que o trabalho realmente começa. Afinal, o próximo passo é analisar todos esses dados para identificar possíveis padrões.
Não sabe por onde começar? Procure:
- Palavras ou frases que chamem a sua atenção, que são memoráveis ou que são repetidas muitas vezes.
- Reclamações, produtos, benefícios, dúvidas, temas sensíveis e pontos de fricção.
Não se esqueça de que um dos objetivos principais desse tipo de análise é entender o modo como o seu segmento de público-alvo se comunica: então, busque as palavras, gírias e frases que eles usam quando se referem ao seu produto. Com esses dados em mãos, você poderá criar um conteúdo que fale a mesma língua que os seus clientes.
Outra dica importante é não inserir, na análise, as suas próprias suposições. Analise os dados, veja o que os seus clientes estão dizendo e aplique isso ao seu conteúdo.
Você também pode organizar os dados da planilha de acordo com as páginas do seu site, ou de acordo com as páginas de produto:

Se você identificou pontos de fricção durante a pesquisa, este é o momento para implementar as correções necessárias.
4. Colha depoimentos e avaliações de clientes
Não é raro que sites de lojas ou marcas que comercializam algum tipo de produto sejam recheados de depoimentos, avaliações, reclamações ou qualquer outro tipo de comentário produzido pelos clientes. O lado bom disso é que esses depoimentos são honestos, justamente porque não foram solicitados pela loja ou marca em questão, e é por isso que podem ser extremamente valiosos para você.
Quer saber o que as pessoas acham da sua marca ou do seu produto? Jogue no Google. Uma pesquisa rápida mostrará tudo o que você está procurando.
Se a sua loja ainda é nova ou tem pouco tempo no mercado, talvez a dica acima não funcione tão bem. Nesse caso, é possível que os clientes estejam avaliando o seu produto de maneira mais local (como no Facebook, no X, em comunidades virtuais ou qualquer outro tipo de rede).
Se você trabalha com dropshipping, procure os depoimentos ou avaliações sobre os produtos que você está comercializando em sua loja virtual.
Por mais que os depoimentos e avaliações de clientes sejam ótimas vitrines para a sua marca ou produto, é importante lembrar que os feedbacks negativos também têm o seu valor.

5. Defina a hierarquia e a estrutura das mensagens
Agora você está mais preparado para criar um texto orientado por dados e centrado no cliente, com maior potencial de conversão. O próximo passo é transformar esses insights em soluções práticas.
Para isso, utilize uma hierarquia de mensagens, um esquema que ajuda a visualizar a importância de cada ponto. Quanto mais um problema, benefício ou dúvida aparece na pesquisa, maior deve ser sua prioridade nessa hierarquia.
Com essa visão geral definida, já é possível desenvolver um wireframe usando ferramentas como Figma ou Sketch. Esse esboço representa a estrutura da página e os espaços destinados ao texto.
“Eu reviso todas as mensagens atuais dos clientes e identifico o que funciona e o que precisa melhorar”, explica a copywriter freelancer Kayla Hollatz. “Depois, crio wireframes simples, focados na organização e no layout, sem entrar no design, para estruturar uma estratégia de redação fácil de visualizar.”
Esse processo é útil mesmo quando o design já está pronto, pois permite perceber ajustes na disposição dos elementos conforme os benefícios e características comunicados.
A partir daí, você pode estruturar as mensagens com mais clareza.
E voilà: você está pronto para começar a lucrar com conteúdos bem estruturados, customizados e exclusivos, criados com o propósito único de converter. E o melhor de tudo? Esse processo pode ser aplicado em qualquer canal (e-mail, anúncios pagos…).
A redação para e-commerce pode determinar o sucesso da sua loja virtual
Uma boa redação para e-commerce é relativamente fácil de aprender, mas difícil de aperfeiçoar. Copywriters experientes testam e mensuram continuamente seus textos para garantir que gerem resultados.
Uma redação excepcional exige mais pesquisa e revisão do que criatividade isolada. Por isso, deixe de lado as suposições e mergulhe no processo de investigação: pesquise clientes potenciais, entreviste quem já compra e analise avaliações de concorrentes.
É ao refletir as histórias reais dos clientes e despertar emoções no texto que as palavras cumprem seu verdadeiro papel: vender.
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Perguntas frequentes sobre redação para e-commerce
O que é redação para e-commerce?
De forma bem resumida, a redação para e-commerce é uma forma estratégica de usar a escrita para vender. Ao usar técnicas de redação no seu e-commerce, você otimiza seu site (home page, descrições de produtos, etc.) e toda a comunicação da sua empresa para atrair o público, divulgar a marca e aumentar as conversões.
O que é um copywriter de e-commerce?
Um copywriter de e-commerce cria conteúdo escrito para lojas virtuais ou sites. Ele produz descrições de produtos, posts de blog, textos de marketing e outros materiais escritos. A otimização é um aspecto fundamental do trabalho desse profissional, pois ele deve criar conteúdo que atraia tanto leitores humanos quanto algoritmos de mecanismos de busca orgânicos para melhorar a visibilidade da loja e impulsionar vendas.
Qual a importância da redação para e-commerce?
A redação para e-commerce é fundamental para as vendas. Os visitantes da sua loja virtual podem ficar encantados com o design do site e com as fotos dos produtos, mas é o texto que vai dar aquele empurrãozinho final para convencer o consumidor a concluir a compra.
Quais são as 6 habilidades principais de redação?
- Pesquisa: conhecer seu público, produto e concorrência
- Clareza: ser capaz de criar uma mensagem clara, concisa e memorável
- Criatividade: desenvolver texto único e atraente
- Narrativa: criar histórias e narrativas para envolver leitores
- Persuasão: entender como influenciar e convencer leitores
- SEO: otimizar texto para algoritmos de mecanismos de busca
Como fazer uma boa redação para e-commerce?
Primeiro, é essencial definir e conhecer bem o público-alvo para que a redação se comunique de forma eficaz e gere os melhores resultados possíveis. Também é importante estabelecer a identidade da marca: a comunicação será mais informal e descontraída ou mais institucional? A redação para e-commerce deve refletir esse posicionamento com consistência..
Quais são exemplos de redação para e-commerce?
Marketing de conteúdo é o processo de criar e distribuir conteúdo (como blogs, posts de rede social, vídeos, etc.) para atrair e envolver clientes potenciais com o objetivo de gerar ação lucrativa do cliente. Landing pages, anúncios e redação de produto são outros exemplos de redação para e-commerce.


